Jequié está vivendo uma epidemia de multas. A Sumtran, órgão encarregado de organizar o trânsito, parece ter se transformado em uma máquina de arrecadação. Só nos três primeiros meses de 2026, os cofres públicos engordaram com R$ 1.243.774,81 — sendo R$ 508.126,66 em janeiro, R$ 310.865,31 em fevereiro e R$ 424.782,84 em março. Um verdadeiro tesouro extraído não da ordem urbana, mas do bolso dos motoristas.
O problema é claro: em vez de orientar, educar e prevenir, a Sumtran escolheu punir. O trânsito virou um campo minado, onde cada deslize é convertido em boleto. Não há campanhas educativas, não há esforço de conscientização. Há apenas a frieza da multa, aplicada em série, como se o motorista fosse inimigo público.
O resultado é devastador. Carteiras de habilitação suspensas por excesso de pontos, famílias endividadas, trabalhadores acuados. O trânsito, que deveria ser espaço de convivência e segurança, virou uma armadilha institucionalizada.
Essa política não é gestão: é caça. Não é fiscalização: é cobrança. Não é educação: é punição. A sociedade não pode aceitar que o trânsito seja tratado como negócio. O que se vê em Jequié é um retrato de descaso, onde a arrecadação milionária se sobrepõe ao dever de orientar e proteger.
Enquanto a Sumtran celebra seus números, os cidadãos perdem mobilidade, dignidade e confiança. O trânsito não pode ser reduzido a uma caixa registradora. O povo já sente repulsa — e com razão.
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